segunda-feira, 28 de abril de 2008

Falando de Caverna do Diabo e outras











Compreendendo a escuridão

Grupo de Cavernas 7ªB (Felipe Abreu Sabino, Felipe Sacchetta, Giuliana Tavares, André Minassian) Vera Lúcia dos Anjos – Ciências; Rubem Gorski – Matemática; Henrique Delboni – Geografia; Lucy Santin Bergamo – Português; Paulo Storace – História.Reportagem

As cavernas são um fenômeno raro, que acontece somente onde há uma formação geológica especial, calcária, de arenito, de gelo, de mármore, etc. Em São Paulo, é possível encontrar uma enorme concentração de cavernas no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira).Em 1958, o PEAR foi criado, mas como o lugar é perfeito para o turismo, devido à sua enorme quantidade de cavernas, o turismo foi permitido mudando o nome do parque para PETAR.A maioria dos turistas que visitam o PETAR estão interessados em compreender o ambiente cavernícola, e uma ótima maneira é através da atividade de Black-out.Nessa atividade acontece realmente um “Black-out” na caverna. Todo mundo apaga as lanternas e faz silêncio, e dessa maneira é possível sentir o ambiente cavernícola. Na caverna, como é um ambiente fechado, o som se propaga facilmente e um ruído baixo, como uma gota, é possível ser ouvido à distância. Houve um caso de uma mulher com problema de audição, que, durante a atividade do Black-out no PETAR, conseguiu ouvir as gotas e os sons da caverna.Desde a Idade da Pedra os humanos sentem uma atração pela caverna; tanto que elas foram o primeiro abrigo dos seres humanos. Ainda hoje existem pessoas que moram nas cavernas, ou porque não têm dinheiro para comprar uma casa ou porque simplesmente se atraíram pelo ambiente cavernícola. Como o caso de Jeziel Cruz de Aragão, um morador do Rio de Janeiro, que preservava a praia para os visitantes. Ele não tinha onde morar e, com isso foi morar em uma caverna próxima à praia. Porém, o governo do Rio de Janeiro o expulsou de lá, por não ser um local adequado para se viver. Com essa decisão, os visitantes das praias começaram a protestar para que Jeziel voltasse a tomar conta delas, (pois como não podia mais morar na caverna foi morar em outro lugar, deixando a praia sem proteção). A atração pelas cavernas é tanta que existem campos de futebol em uma caverna na Bahia, e também existem templos religiosos também na Bahia.A maioria das escolas que fazem estudo do meio visita o PETAR, a maioria na 7ª série. Essas escolas geralmente fazem a atividade de Black-out. A Escola Viva é uma delas.Vivência dos alunos da Escola Viva de Black-outNo dia 23/8/2005 os alunos da 7ª série da Escola Viva de São Paulo foram a um estudo do meio no PETAR (Parque Estadual do Alto do Ribeira) nos municípios de Iporanga e Eldorado, também em São Paulo.Lá, os alunos realizaram diversas atividades, entre elas, visitar as cavernas Alambari de Baixo, Água Suja, Santana, Morro Preto, situadas no município de Iporanga, e a Caverna do Diabo, localizada em Eldorado. Nas cavernas, os alunos aprenderam como são formadas, como se formam os espeleotemas e como vivem os animais da caverna e as adaptações necessárias para viver lá. Fizeram também, em todas as cavernas, a atividade de Black-out.Na primeira vez que fizeram a atividade (na caverna Alambari), os alunos estavam “imaturos”, e como estavam acostumados com o barulho e as luzes da cidade, alguns fizeram barulho porque não agüentaram o silêncio das cavernas, pois muitas pessoas, quando estão com medo, fazem barulho para se sentirem melhor.A cada experiência de Black-out, os alunos ficavam mais confiantes e faziam cada vez mais silêncio e acendiam menos “luzinhas” de relógio.A Caverna do Diabo foi modificada pelo homem, com escadarias e luzes artificiais para a realização do turismo. Nem todas as pessoas têm condições físicas e monetárias para visitar as cavernas naturais (que são escuras e não têm escadarias, a fauna não está prejudicada e tem a maior característica da caverna, o escuro). Por isso, a Caverna do Diabo é alterada.Como a Caverna do Diabo é altamente modificada, e geralmente há um grande fluxo de visitantes, a 7ª série nunca imaginou que teriam um Black-out nela. Isso foi muito interessante, pois a Caverna do Diabo, além de ser muito grande, ao apagarem as luzes, o contraste de claro e escuro foi muito maior que nas outras cavernas.Com as experiências, os alunos aprenderam a apreciar o silêncio e o escuro, algo que não acontece nas cidades.A experiência de observação do gotejamentoOs alunos também fizeram a atividade de observação do gotejamento. Nessa atividade, selecionaram uma área onde havia água gotejando e contaram quantas gotas caíram durante dois minutos e a diferença de tempo entre duas gotas. Os resultados foram: nos dois minutos de gotejamento caíram 175 gotas e a diferença de tempo entre duas gotas foi de 1,46 segundos. Essa é outra maneira de compreender as cavernas, pois são esses gotejamentos que dão origem aos espeleotemas. Outras maneiras de compreender o ambienteExistem outras maneiras de compreender o ambiente cavernícola, além do Black-out. Muitas pessoas só começam a respeitar as cavernas quando compreendem a sua formação, sua importância, sua fauna, etc. Ao visitar o PETAR, os guias explicam isso.Formação de cavernasOutra maneira de compreender o misterioso ambiente das cavernas é a partir de sua formação.Existem vários tipos de cavernas: de arenito, folhelho, quartzito, gelo, de mármore, etc. Mas o tipo mais comum são as cavernas calcárias, que são as existentes no PETAR.As formações das cavernas calcárias dependem muito dos fatores bióticos e abióticos do ambiente. Mas, o que são fatores bióticos e abióticos?Fatores bióticos e abióticos são as condições vivas ou não vivas do ambiente. Por exemplo, a luminosidade, que é um fator abiótico (não vivo), e a abundância de alimentos, que é um fator biótico (vivo).A formação das cavernas depende da chuva (fator abiótico) e da respiração dos seres vivos (fator biótico). Esses fatores são importantes para a criação do ácido carbônico, que vai ser o “solvente” do calcário.A água da chuva, quanto entra em contato com o gás carbônico da atmosfera, forma um ácido leve, chamado ácido carbônico. O calcário é uma rocha frágil à acidez, e o ácido carbônico já é suficiente para dissolvê-lo. Quando entra em contato com o solo, que no PETAR é cheio de matéria em decomposição, há muitos fungos, que também liberam gás carbônico, aumentando a quantidade do ácido carbônico. O ácido carbônico, ao entrar em contato com o calcário, dissolve-o, e depois de milhares de anos de corrosão dará origem às cavernas.EspeleotemasOs espeleotemas são as formações que existem nas cavernas, que são de diversos formatos. Os mais comuns são as estalactites (que saem do teto) e estalagmites (que saem do chão).Há uma enorme quantidade de espeleotemas nas cavernas calcárias. É possível estimar a idade da caverna através dos espeleotemas. Se a caverna tiver muitos espeleotemas, ela é mais velha; e se tiver menos, é mais nova. Nem todas as cavernas possuem espeleotemas. Nas de arenito não existem espeleotemas, pois o arenito não tem nenhum mineral que cristaliza, e, assim, não é possível sua formação. Nas cavernas calcárias é diferente, pois a base do calcário é um mineral chamado calcita, que cristaliza e dá origem aos espeleotemas.Mas, como se formam os espeleotemas?Como as cavernas, os espeleotemas são formados a partir da água proveniente de rios ou da chuva que vai abrindo frestas na cobertura rochosa e leva com ela a calcita. Essa água, ao chegar a uma cavidade subterrânea (a caverna), irá gotejar, e, ao gotejar, a calcita irá cristalizar, dando origem aos espeleotemas.Mas, por que os espeleotemas não são iguais?Dependendo do gotejamento, formam-se diversos tipos de espeleotemas: se a água escorrer na parede, dará origem às cortinas; gotejando do teto, a calcita precipitará dando origem a estalactites (que saem do teto) e estalagmites. Depois de muito tempo gotejando, a estalagmites (que sai do chão) se juntará com a estalactite, dando origem a uma coluna. Existem muitos tipos de espeleotemas e explicar a formação de todos eles demoraria muito tempo. Uma gota pode demorar seis meses para chegar a seu destino, e para um espeleotema se formar completamente centenas de anos são necessários.Vida nas CavernasA caverna é um ambiente muito interessante a ser explorado, mas um fator que torna o ambiente cavernícola diverso é sua fauna. Muitos pensam que a caverna é inabitada, mas é o oposto: existem mais de 1300 espécies de animais. Há animais que são adaptados a este tipo de ambiente.Os animais cavernícolas podem ser divididos em três grupos:Troglóbios:São aqueles que passam seu ciclo de vida inteiro no ambiente cavernícola, eles são adaptados à vida neste tipo de local; têm seus órgãos modificados e sentidos apurados. Já que a luminosidade é isenta, a audição é excelente; têm a percepção sonora guiada por ondas de som equalizadas no ambiente. A maioria são peixes, como o bagre cego, a salamandra cega, o camarão cego e o isópode albino cavernícola.Troglófilos:São animais adaptados para viver nas cavernas, podem viver tanto no meio externo, quanto no ambiente cavernícola, seu ciclo de vida pode ser realizado nos dois ambientes, crustáceos, aranhas, opiliões e insetos são comuns entre os troglófilos brasileiros. O morcego é classificado dos dois jeitos, pode ser troglófilo e trogloxeno.Trogloxenos:São animais que são adaptados ao meio externo, mas utilizam a caverna como refúgio, local de reprodução ou alimentação, têm afinidade por este meio, dentre eles encontramos todos os tipos de morcegos.

Por que preservar as cavernas?

Muitas pessoas pensam que arrancar um pedaço de espeleotema não fará diferença, mas estão enganadas. Esse pedacinho demora centenas de anos para se reconstituir, ou não se reconstitui. Ao fazer isso, estão destruindo milhares de anos da história geológica do mundo. Outro problema na preservação das cavernas são os critérios escolhidos para preservá-las. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) é o órgão responsável por isso, e usa um critério pouco eficaz. Só são preservadas pelo Ibama as cavernas que possuem animais troglóbios. Portanto, as cavernas que são repletas de animais troglófilos ou trogloxenos não são preservadas, mesmo tendo muitos animais vivendo nela.Por isso é importante compreender as cavernas, pois, para começar a respeitá-las, é preciso entendê-las. Até o IBAMA não usa um meio “inteligente” para preservá-las, achando que somente os troglóbios devem ser preservados, sem dar importância aos outros seres cavernícolas. A melhor maneira de compreender a escuridão é apreciando-a, vivenciando-a.

Nenhum comentário: